Nuvem Cigana (Lô Borges – Milton Nascimento)
Se você quiser eu danço com você
No pó da estrada
Pó, poeira, ventania
Se você soltar o pé na estrada
Pó, poeira
Eu danço com você o que você dançarSe você deixar o sol bater
Nos seus cabelos verdes
Sol, sereno, ouro e prata
Sai e vem comigo
Sol, semente, madrugada
Eu vivo em qualquer parte de seu coraçãoSe você deixar o coração bater sem medo
… do som da música que nos guia, enquanto não há nada mais que nos impeça de balançar a vida ao nosso próprio ritmo, que seja frenético sem respirar sem pausa nem descanso agarrando a vida entre os dentes, ou a passo firme, forte, ponderando cada mínimo volume de ar que saia de nossas bocas, ou então aquele jorro de vida que assenta a poeira do tempo que fingimos não passar, que de fato não passou, que de fato ficou pra trás, eterno por ser efêmero, doce pelo sal dos poros; cada idéia que surge e conversamos em bocas ouvidos gestos toques lençóis, e tudo termina, aliás, não termina, pela hora do grito libertário em êxtase ou em dor, que nada mais é do que um recomeço, reconstruímos a barragem transbordada, propositadamente deixando centímetros a menos, que a matéria se esgota e já não temos mais tempo de erguer muros tão altos, e por isso nos vemos cada vez mais inteiros, não obstante mutilados nas micro-estruturas passíveis de renovação (pois não somos indivisíveis e nem tudo é descartável), feito aquela recomposição liquidando as macro-sinfonias passíveis de decantação, feito aquela transfiguração onde um mais um é um mesmo, que é o que somos enquanto não há nada mais que nos impeça de balançar a vida ao nosso próprio ritmo, do som da música que nos guia.
Se você quiser eu danço com você
Meu nome é nuvem
Pó, poeira, movimento
O meu nome é nuvem
Ventania, flor de vento
Eu danço com você o que você dançarSe você deixar o coração bater sem medo
Se você deixar o coração bater sem medo
Se você deixar o coração bater sem medo
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